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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Saber existir

 Esse otimo texto pode parecer um pouco difícil pelos nomes em sânscrito para quem não tem conhecimento no assunto, mas ainda assim vale como um ensinamento, um meio de inspiração, um novo saber. Coloquei pensando nos meus alunos, na aula de amanha, no nosso dia a dia, no poder do Yoga em guiar e iluminar o caminho... Acredito tanto nisso que compartilho, todos os meus dias com todo meu amor, os valores que me ajudam a Ser!

Aprendendo com o Yoga a arte de saber existir

"Quando lemos o Yoga Sútra de Pátãnjali, nos deparamos, no primeiro capítulo (Samádhi Pada), com a seguinte assertiva: "Atha Yoganusasanam". Traduzindo, "Agora, o ensinamento do Yoga".

Desse breve enunciado, podemos concluir que outra etapa antecedeu o ensinamento do Yoga. Acredito que o Yoga surja para nós a partir do momento em que o ser humano, através da busca pelo auto-conhecimento, percebe que para "ser" é preciso "saber existir". Mas, como saber existir?

Existimos em vários níveis: pensamentos, sentidos, corpo físico, enfim, convivemos com outros seres e captamos energia de várias fontes diferentes. Como, por exemplo, a do ambiente em que vivemos e freqüentamos, das pessoas que nos rodeiam, dos alimentos, da natureza e, conseqüentemente, devolvemos essa energia de alguma forma através de nossas ações, pensamentos, palavras, olhar e tudo o que envolve a nossa movimentação pelo universo em busca de algo que não está muito bem definido. Agora, começa o Yoga.

Daí surge a necessidade de que, antes de caminhar rumo à meta do Yoga, que é o estado de iluminação exaltado pelo samádhi, façamos um bom estágio na fase preliminar rumo ao auto-conhecimento, exercitando a ética do Yoga. Em outras palavras, assimilando as valiosas informações advindas dos yamas e nyamas. Yama significa controle ou domínio. É o pontapé inicial, trazendo cinco proscrições éticas: ahimsá - a não violência; satya - falar a verdade; asteya - não se apropriar de coisas alheias, não roubar; brahmacharya - não desvirtuar a sexualidade; e aparigraha - não apegar-se. Esses refreamentos pretendem aniquilar a subjetividade que surge do egocentrismo e prepará-lo para o estágio seguinte.

Os niyamas são prescrições psicofísicas: shauchan - a purificação do corpo; santosha - o contentamento; tapas - a austeridade ou esforço sobre si próprio; swádhyáya - o estudo das escrituras do Yoga e de si próprio; Íshvara pranidhána - que seria a entrega das ações ao Absoluto, a uma força suprema. Aqui, percebemos a necessidade de desenvolver ferramentas que facilitem a busca de algo que, de fato, desconhecemos: a nossa natureza. Pura, livre e descondicionada. Sujamos a nossa existência com uma busca equivocada. Ser "esperto" está longe daquilo que você realmente é e do que realmente quer ser. Mas não sabemos disso. Nossa ignorância metafísica nos afasta da sutileza e do conhecimento verdadeiro: a busca pela nossa essência - o auto-conhecimento.

Quando nos deparamos com os yamas e nyamas, percebemos como é difícil nos "desprogramar". Bloqueamos ou retardamos a nossa evolução com armadilhas que a sociedade nos ensinou a montar para nós mesmos: a mentira, a agressividade contra aqueles que nos ameaçam, o uso equivocado ou parcial dos sentidos (ver somente aquilo que se quer ver), o apego a pessoas, coisas e relacionamentos, o que se reflete num boicote de se passar para a etapa seguinte. E assim caminha a humanidade, sempre dando um jeito de parecer mais "esperta" do que realmente é. O yogi tenta desatar os nós, mas também precisa perceber que, muitas vezes quem dá o nó é ele próprio. Por isso chega o momento da prática e do estudo. Buscar a visão periférica. Abrir os canais e sutilizar o corpo. Ver e querer ver a verdade. Mover-se. Ligar-se. E que durante esse processo esteja presente o bom humor e a pureza. E a fé de que, se nós estivermos fazendo o melhor para nós mesmos e sem fazer mal a ninguém, o que tiver de ser será... Aí a nossa existência começa a ter um brilho tão forte, que acaba se refletindo no olhar. Um olhar de quem não se importa com essas miudezas que a sociedade criou para nos encaixotar.

A nossa consciência oscila do racional ao emocional constantemente. Ambas atreladas ao ego: o veneno que aniquila e cega o homem. E quando a nossa expressão mais sutil e verdadeira se manifesta, que é a nossa intuição, um sussurro da nossa natureza, conseguimos perceber num gesto e num olhar de alguém coisas tão grandiosas que ficamos extasiados. E sorrimos como crianças.

Começamos, então, a entender o significado de existência, de saber existir. O sábio que nos habita começa a nos guiar. Permitindo que as coisas fluam, seguindo seu caminho sem se prostrar da sua consciência como vítima, e sim como mero expectador. As coisas acontecem, mudam e nós apenas acompanhamos essas transformações sem carregar a culpa de se ir adiante. Nós não somos os nossos pensamentos. Nossa mente é capaz de criar histórias, situações e obstáculos que nos cercam e nos aprisionam. Precisamos arrancar essa casca e mergulhar fundo, bem fundo no Ser. Resgatar a essência e privilegiar a nossa intuição, pois é essa que dá vida àquela. Assim, humildemente, nos aproximamos do verdadeiro significado do "saber existir". E, finalmente, percebemos que para sermos felizes, basta apenas SER."

Por   Paula Goes (Yoga Pro site)- 04 de Novembro de 2002 

sábado, 16 de outubro de 2010

Para refletir...

11. Reconhecimento



Transformation Tarot Card
Reconhecimento

"O mestre, o jardineiro e o hóspede

O anseio da mente é de ser extraordinária. O ego tem sede e fome para que reconheçam que você é alguém. Alguém que realizará esse sonho através da riqueza, ou alguém que realizará o sonho através do poder, ou da política. Pode ser alguém que realizará o sonho através de milagres, de truques, não importa, pois o sonho permanece o mesmo: "É insuportável ser ninguém."

E este é o milagre, quando você aceita sua nulidade, quando você se torna tão comum quanto todos os outros, quando você não quer mais nenhum reconhecimento, quando puder existir como se não existisse. Estar ausente é o milagre.

Essa história é linda, uma das anedotas mais belas do Zen. Bankei é um dos Mestres supremos. Mas também era um homem comum.

Certo dia, Bankei estava trabalhando em seu jardim. Um buscador apareceu, um homem em busca de um Mestre, aproximou-se e perguntou a Bankei, “Jardineiro, onde está o Mestre?”

Bankei sorriu e disse, “Espere. Passe por essa porta, e lá dentro você achará o Mestre.”

Então o homem deu a volta e entrou. Encontrou Bankei sentado num trono, o mesmo homem que ele viu cuidando do jardim. O jovem perguntou, “Você está brincando? Desça desse trono. Isso é sacrilégio! você não tem respeito pelo Mestre.”

Bankei desceu, sentou-se no chão, e disse, “Assim você torna as coisas difíceis. Agora você não irá encontrar o mestre aqui, pois eu sou o mestre.”

Era difícil para esse homem entender que um grande mestre podia trabalhar no jardim, podia ser uma pessoa comum. Ele foi embora, pois não podia acreditar que aquele homem era o mestre, ele não entendeu.

Todos temem ser ninguém. Somente pessoas raras e extraordinárias não temem ser ninguém – um Gautama Buddha, um Bankei. Um ninguém não é um fenômeno comum; é uma das grandes experiências da vida – o fato de que você é, mas ainda assim não é. Que você é pura existência sem nome, sem endereço, sem fronteiras. Nem pecador nem santo, nem inferior nem superior, apenas um silêncio.

Pessoas estão com medo disso porque toda a personalidade delas terá então desaparecido; nome, fama, respeitabilidade, tudo se vai; daí, o medo. Mas a morte vai tirá-las de você de qualquer forma. Aqueles que são sensatos permitem que essas coisas caiam por si mesmo. Assim nada resta para a morte levar. Depois todos os medos desaparecem, pois a morte não pode acontecer a você; já que nada terá restado para ela. A morte não pode matar um ninguém.

Uma vez que você sente essa anulação do ser, você se torna imortal. A experiência de anular o seu ser, de ser ninguém, é o sentido exato do nirvana, do nada, do silêncio absoluto e imperturbável, sem ego, sem personalidade, sem nenhuma hipocrisia. Apenas silêncio - e a sinfonia dos insetos no meio da noite.

Você está aqui de certa forma, e ainda assim não está.

Você está aqui devido a velha associação com o corpo, mas olhe para dentro e verá que não está. E esse insight, essa percepção, onde há puro silêncio e puro estado-de-ser, isso é sua realidade, que a morte não pode destruir. Essa é sua eternidade, sua imortalidade.

Não há nada a temer. Não há nada a perder. E se você acha que perdeu algo – nome, respeitabilidade, fama – estes são sem valor. Estes são brinquedos de crianças, não servem para pessoas maduras. É hora de você amadurecer, hora de você apenas ser.

Seu ser-alguém é tão pequeno. Quanto mais alguém você for, menor é; quanto mais ninguém você for, maior você é. Seja absolutamente ninguém, e você será um com a própria existência."

From Osho, Tarot da Transformacao